O valor de cada parcela de um empréstimo pessoal é calculado com base em três variáveis: o montante emprestado, a taxa de juros mensal e o número de prestações. A fórmula mais usada no Brasil é a da Tabela Price, que aplica juros compostos e distribui o pagamento em prestações fixas ao longo do prazo. Além dos juros, encargos como IOF e seguros também entram no valor final — o que faz a parcela real ser maior do que o cálculo básico sugere.
Ao longo deste artigo você vai encontrar a fórmula da Tabela Price explicada passo a passo, um exemplo com números reais usando R$ 10.000, a descrição de cada variável que compõe a parcela, como interpretar o Custo Efetivo Total (CET) e dicas para comparar propostas de diferentes instituições antes de assinar qualquer contrato.

O que compõe a parcela de um empréstimo pessoal
O valor da parcela não depende só dos juros. Vários componentes se somam ao montante e influenciam o quanto você vai pagar a cada mês.
Taxa de juros mensal e anual
A taxa de juros é o principal fator no cálculo da parcela, mas é preciso distinguir dois conceitos que costumam causar confusão. A taxa nominal é a divulgada no contrato; a taxa efetiva é a que realmente incide sobre o saldo devedor a cada período.
Como os empréstimos pessoais usam juros compostos, a taxa mensal não equivale à taxa anual dividida por 12. Uma taxa de 3,5% ao mês resulta em uma taxa anual efetiva de aproximadamente 51%, não em 42%. Esse detalhe muda bastante o custo total da operação.
IOF e encargos adicionais
O IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) incide sobre qualquer operação de crédito no Brasil. Ele tem duas partes: uma alíquota fixa de 0,38% sobre o valor total e uma alíquota diária de 0,0082% que cresce conforme o prazo do empréstimo.
Na prática, quanto mais longo o prazo, maior o impacto do IOF no custo total. Esse valor é cobrado sobre o montante emprestado e pode ser embutido nas parcelas ou descontado no momento do crédito, dependendo da instituição.
Seguros e tarifas embutidas
Algumas instituições incluem seguros de proteção financeira no contrato — cobertura em caso de desemprego, invalidez ou morte. Em muitos casos, esses seguros são opcionais e podem ser recusados, reduzindo o valor da parcela.
Tarifas administrativas também aparecem em certas propostas. Antes de contratar, vale conferir o contrato linha por linha para identificar cobranças que não foram mencionadas na simulação inicial. Todos esses custos se refletem no CET, que será explicado mais adiante.
Como calcular as parcelas de um empréstimo pessoal passo a passo
Com três informações — valor emprestado, taxa de juros mensal e número de parcela, já é possível calcular o valor de cada prestação usando a fórmula mais adotada no Brasil.
Fórmula da Tabela Price para parcelas fixas
A Tabela Price usa a seguinte fórmula para calcular prestações fixas:
PMT = PV × [i × (1+i)^n] / [(1+i)^n − 1]
Cada variável tem um papel claro:
- PMT = valor da parcela mensal
- PV = valor presente, ou seja, o montante emprestado
- i = taxa de juros mensal expressa em decimal (ex: 3,5% = 0,035)
- n = número total de parcelas
O numerador da fórmula calcula os juros compostos acumulados; o denominador distribui esse custo ao longo de todos os meses. O resultado é uma parcela fixa que mistura amortização do principal e pagamento de juros em proporções que variam ao longo do tempo.
Exemplo prático com números reais
Considere um empréstimo de R$10.000, com taxa de 3,5% ao mês e prazo de 24 parcelas. Veja o cálculo passo a passo:
- Converter a taxa para decimal: 3,5% = 0,035
- Calcular (1 + i)^n: (1,035)^24 ≈ 2,2833
- Calcular o numerador: 10.000 × (0,035 × 2,2833) = 10.000 × 0,07992 = 799,2
- Calcular o denominador: 2,2833 − 1 = 1,2833
- Dividir: 799,2 ÷ 1,2833 ≈ R$ 623,00 por parcela
Com 24 parcelas de R$623,00, o valor total pago chega a aproximadamente R $14.952,00. Isso significa que os juros representam quase R$5.000,00 a mais sobre o valor originalmente emprestado — um custo que passa despercebido quando se olha só para o valor da parcela.
Como o prazo e a taxa de juros afetam o valor das parcelas
Mudar o prazo ou a taxa de um empréstimo de R$10.000 pode parecer um ajuste pequeno, mas o impacto no custo total é expressivo. Veja como os cenários se comportam:
Variação de prazo com taxa fixa de 3,5% ao mês:
- 12 parcelas: aproximadamente R$ 1.005,00/mês → total pago ≈ R$ 12.060,00
- 24 parcelas: aproximadamente R$ 623,00/mês → total pago ≈ R$ 14.952,00
- 36 parcelas: aproximadamente R$ 484,00/mês → total pago ≈ R$ 17.424,00
Variação de taxa com prazo fixo de 24 meses:
- 2% ao mês: aproximadamente R$ 529,00/mês → total pago ≈ R$ 12.696,00
- 3,5% ao mês: aproximadamente R$ 623,00/mês → total pago ≈ R$ 14.952,00
- 5% ao mês: aproximadamente R$ 731,00/mês → total pago ≈ R$ 17.544,00
O trade-off fica evidente: parcelas menores com prazo mais longo reduzem o impacto mensal no orçamento, mas aumentam o custo total da dívida de forma considerável. No exemplo acima, estender o prazo de 12 para 36 meses representa pagar mais R$5.364,00 ao final.
A diferença de taxa também é reveladora. Entre 2% e 5% ao mês — apenas 3 pontos percentuais —, o custo total do mesmo empréstimo de R$10.000 varia em quase R$5.000,00. Antes de fechar qualquer contrato, simular ao menos três cenários diferentes ajuda a ter uma visão mais clara do que está sendo assumido.

O que é o CET e por que ele importa mais que a taxa de juros
O Custo Efetivo Total (CET) é o indicador que reúne todos os encargos de um empréstimo em uma única taxa anual: juros, IOF, seguros, tarifas administrativas e qualquer outro custo associado à operação. Por regulamentação do Banco Central, toda instituição financeira é obrigada a informar o CET antes da contratação.
A importância do CET fica clara quando duas propostas apresentam a mesma taxa de juros, mas condições diferentes. Imagine duas ofertas de R$10.000 em 24 meses, ambas com 3,5% ao mês. Se uma inclui seguro obrigatório e tarifa de cadastro e a outra não, o CET de cada uma será diferente — e a proposta com menor CET representa o menor custo real.
Usar a taxa de juros como único critério de comparação é um erro comum. Uma fintech pode anunciar uma taxa menor, mas cobrar tarifas que elevam o CET acima do de um banco tradicional com taxa mais alta. O CET elimina essa distorção porque coloca tudo na mesma base de comparação.
Ao receber qualquer proposta de crédito, peça o CET expresso em termos anuais e use esse número para comparar as alternativas. Esse é o dado mais confiável para saber qual empréstimo vai custar menos ao longo do tempo.
Dicas para conseguir parcelas mais acessíveis no empréstimo pessoal
Algumas estratégias podem ajudar a reduzir o valor das parcelas e o custo total do empréstimo antes mesmo de contratar.
- Mantenha o score de crédito em dia: instituições financeiras usam o histórico de pagamentos para definir a taxa oferecida. Quem tem score alto costuma receber condições mais favoráveis.
- Compare propostas de diferentes fontes: bancos tradicionais, cooperativas de crédito, fintechs e apps financeiros podem ter condições bem distintas para o mesmo perfil.
- Verifique seguros opcionais: pergunte se os seguros incluídos na proposta são obrigatórios. Quando opcionais, recusá-los pode reduzir o valor da parcela.
- Prefira prazos mais curtos quando o orçamento permitir: parcelas mais altas por menos tempo significam menos juros pagos no total.
- Negocie a taxa: em especial com instituições onde você já tem relacionamento, há margem para negociar condições melhores.
Para comparar condições de crédito entre diferentes opções, apps financeiros podem ser um ponto de partida prático. O app do Mercado Pago, por exemplo, permite consultar propostas de empréstimo pessoal e simular parcelas diretamente pelo celular — uma alternativa entre várias disponíveis no mercado.
Independentemente do canal escolhido, o mais importante é reunir ao menos três propostas com o CET de cada uma antes de tomar qualquer decisão.
Perguntas frequentes sobre o cálculo de parcelas de empréstimo pessoal
Qual a diferença entre juros simples e juros compostos no empréstimo pessoal?
Nos juros simples, os encargos incidem sempre sobre o valor original emprestado. Nos juros compostos, os juros de cada período são somados ao saldo devedor, e o próximo cálculo incide sobre esse novo valor, o chamado “juros sobre juros”. A grande maioria dos empréstimos pessoais no Brasil adota juros compostos, o que faz o custo total ser maior do que a multiplicação direta da taxa pelo número de meses sugere.
Como saber se a taxa de juros do empréstimo pessoal é abusiva?
O Banco Central divulga mensalmente as taxas médias de mercado para diferentes modalidades de crédito, incluindo empréstimo pessoal. Se a taxa oferecida estiver bem acima dessa média, pode indicar uma cobrança desproporcional. O site do Banco Central (bcb.gov.br) permite consultar esses dados de forma gratuita e verificar o que está sendo praticado pelo mercado.
Posso usar a calculadora do Banco Central para simular parcelas?
Sim. A Calculadora do Cidadão, disponível no site do Banco Central, tem uma função específica para financiamentos com prestações fixas. Basta informar o número de meses, a taxa mensal e o valor financiado ou da prestação para obter uma estimativa. É uma ferramenta gratuita, confiável e sem necessidade de cadastro.
Amortizar parcelas antecipadas reduz os juros do empréstimo?
Sim. A amortização antecipada reduz o saldo devedor e, com isso, os juros que ainda seriam cobrados nos meses seguintes. Pelo Código de Defesa do Consumidor, quem contrata um empréstimo tem direito a antecipar parcelas com desconto proporcional dos juros futuros. Vale avaliar se a economia gerada compensa em relação a outros usos possíveis para o dinheiro disponível.
Quem quer simular condições de crédito antes de contratar pode usar o app do Mercado Pago para consultar propostas de empréstimo pessoal e visualizar o valor das parcelas conforme o prazo escolhido. Baixe o app, acesse a seção de crédito e compare as condições disponíveis, sempre lado a lado com outras propostas e com atenção ao CET de cada uma.
Aplicam-se restrições. Consulte mais informações sobre produtos, serviços e termos de uso em: https://www.mercadopago.com.br/ajuda/termos-e-condicoes_299
