Com a Selic em torno de 14% ao ano, R$ 1.000 depositados em uma conta que paga 100% do CDI rendem cerca de R$ 11 brutos por mês, ou aproximadamente R$ 142 brutos em um ano. Esse valor, porém, não chega inteiro ao bolso: sobre o lucro incidem Imposto de Renda e, nos primeiros 30 dias, também o IOF, que pode consumir uma parcela considerável do ganho dependendo de quando o resgate acontece.
Ao longo deste artigo, você vai encontrar simulações de rendimento para os prazos mais comuns (1 mês, 6 meses e 1 ano), uma explicação clara sobre como o IR e o IOF reduzem o ganho, a diferença entre rendimento nominal e rendimento real descontando a inflação, e um comparativo das condições oferecidas pelas principais contas digitais do mercado.

Como funciona o rendimento automático de R$ 1.000 em contas digitais
Antes de olhar os números, vale entender o mecanismo por trás do rendimento automático. Saber como a taxa CDI e o tipo de aplicação funcionam ajuda a comparar contas com mais segurança.
O que é o CDI e por que ele define quanto seu dinheiro rende
O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é a taxa que os bancos usam para emprestar dinheiro entre si no curto prazo. Na prática, ela acompanha de perto a taxa Selic, definida pelo Banco Central, e serve como referência para a maioria dos investimentos de renda fixa no Brasil.
As contas digitais com rendimento automático remuneram um percentual do CDI. Algumas oferecem 100%, outras chegam a 105% ou 110%, mas cada uma pode ter condições específicas, como limite de saldo ou exigência de movimentação mínima. Quanto maior o percentual do CDI e mais alta a Selic, maior o rendimento bruto dos R$ 1.000.
O rendimento é composto, não simples. Isso significa que, a cada período, os juros incidem sobre o saldo já corrigido, incluindo os rendimentos anteriores. Com o tempo, esse efeito se torna cada vez mais relevante.
Liquidez diária e RDB: o que acontece com seus R$ 1.000 na prática
A maioria das contas digitais oferece liquidez diária, ou seja, é possível resgatar o dinheiro a qualquer momento sem carência. Essa flexibilidade é uma das principais vantagens em relação a outros investimentos de renda fixa.
Por trás do rendimento automático, o lastro costuma ser um RDB (Recibo de Depósito Bancário) ou um título público. O RDB funciona de forma parecida com um CDB, mas sem a possibilidade de transferência entre investidores. Na maioria dos casos, esse tipo de aplicação conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até o limite de R$ 250 mil por CPF por instituição.
Quanto rende R$ 1.000 em cada prazo: simulações com valores reais
O rendimento de R$ 1.000 muda conforme o tempo que o dinheiro fica parado. Veja simulações para os prazos mais comuns e entenda o efeito dos juros compostos.
Rendimento bruto em 1 mês, 6 meses e 1 ano
Os valores abaixo são referenciais, calculados com base em uma Selic próxima de 14% ao ano e 100% do CDI. Como a Selic muda a cada reunião do Copom, os números podem variar. Em todos os casos, o imposto ainda não foi descontado.
- 1 mês: R$ 1.000 rendem cerca de R$ 11 brutos. O valor parece pequeno, mas já supera o rendimento da poupança no mesmo período.
- 6 meses: o acúmulo chega a aproximadamente R$ 68 brutos. Aqui o efeito composto começa a aparecer com mais clareza.
- 1 ano: o rendimento bruto se aproxima de R$ 142, o que representa cerca de 14,2% sobre o valor inicial.
Esses valores são o ponto de partida da análise. O que sobra no bolso após os impostos é o que realmente importa, e isso depende de quando o resgate acontece.
Juros compostos: por que o ganho acelera com o tempo
Em juros simples, R$ 1.000 a 1% ao mês renderiam exatamente R$ 10 por mês, todos os meses, sem variação. No regime de capitalização composta, os juros do mês seguinte incidem sobre R$ 1.010, depois sobre R$ 1.020,10, e assim por diante.
A diferença parece pequena no curto prazo, mas se torna expressiva em prazos mais longos. Em um ano, os juros compostos geram um ganho cerca de 6% a 8% maior do que os juros simples sobre o mesmo capital, dependendo da taxa. Esse é o principal argumento para manter o dinheiro investido por mais tempo em vez de resgatar com frequência.
Quanto sobra no bolso: o impacto do IR e do IOF sobre R$ 1.000
O rendimento bruto não é o que chega ao bolso. Dois impostos incidem sobre o lucro das contas com rendimento, e entender como funcionam evita surpresas no resgate.
Tabela regressiva do Imposto de Renda na prática
O Imposto de Renda sobre renda fixa segue uma tabela regressiva: quanto mais tempo o dinheiro fica aplicado, menor a alíquota. O imposto incide apenas sobre o rendimento, nunca sobre os R$ 1.000 investidos.
As alíquotas vigentes são:
- Até 180 dias: 22,5% sobre o rendimento
- De 181 a 360 dias: 20%
- De 361 a 720 dias: 17,5%
- Acima de 720 dias: 15%
Na prática, quem resgata R$ 1.000 após 1 mês (30 dias) e obteve R$ 11 de rendimento bruto paga 22,5% sobre esses R$ 11, ou seja, cerca de R$ 2,47 de IR. O rendimento líquido nesse cenário fica em torno de R$ 8,53. Já quem mantém o dinheiro por mais de 2 anos paga apenas 15% sobre o lucro acumulado.
A armadilha do IOF nos primeiros 30 dias
O IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) é o imposto que mais surpreende quem resgata cedo. Ele segue uma tabela regressiva que vai de 96% do rendimento no primeiro dia até 0% a partir do 31º dia. Isso mesmo: no primeiro dia, quase todo o ganho vai para o imposto.
Veja o impacto concreto sobre os R$ 11 de rendimento bruto de um mês:
- Resgate no 5º dia: IOF de aproximadamente 70% sobre o rendimento. De R$ 11 brutos, sobrariam cerca de R$ 3,30 antes mesmo do IR.
- Resgate no 15º dia: IOF de cerca de 50%, deixando aproximadamente R$ 5,50 de base para o cálculo do IR.
- Resgate no 31º dia: IOF zero. O rendimento líquido após IR (22,5%) fica em torno de R$ 8,53.
O ponto de virada é o 30º dia. A partir daí, o IOF desaparece e o ganho líquido melhora de forma considerável. Resgatar antes disso raramente compensa, a menos que haja uma necessidade real e urgente do dinheiro.

Rendimento nominal vs. rendimento real: o que a inflação faz com seus R$ 1.000
Há uma distinção importante que muitos simuladores ignoram: o rendimento nominal é o valor que a conta efetivamente paga, enquanto o rendimento real é o que sobra depois de descontar a inflação medida pelo IPCA.
Se R$ 1.000 rendem R$ 142 brutos em um ano, mas a inflação no período foi de 5%, o ganho de poder de compra não é de 14,2%. A fórmula conceitual é simples: rendimento real aproximado = rendimento líquido menos a inflação do período. Com IR de 20% (prazo entre 181 e 360 dias), o rendimento líquido seria cerca de R$ 113,60. Descontando 5% de inflação sobre os R$ 1.000 (R$ 50), o ganho real cai para aproximadamente R$ 63,60.
Isso não torna a conta digital uma má escolha. Em cenários de juros altos, o CDI costuma superar a inflação com folga, preservando e aumentando o poder de compra. Mas vale ter essa perspectiva para não confundir rendimento nominal com ganho real.
Comparativo: como R$ 1.000 rendem nas principais contas do mercado
As condições variam bastante entre as contas digitais disponíveis no Brasil. Antes de escolher onde deixar os R$ 1.000, vale comparar os percentuais do CDI, os limites de saldo e as exigências de cada uma.
- Mercado Pago: oferece rendimento de até 105% do CDI para quem cumpre condições de movimentação, com limite de saldo para a taxa cheia. O rendimento automático incide sobre o saldo disponível na conta, com liquidez diária.
- Nubank: paga 100% do CDI sobre o saldo da conta, com liquidez diária. Em alguns produtos específicos, pode haver carência para o início do rendimento.
- 99Pay: oferece até 110% do CDI com isenção de IR e IOF em determinadas condições, mas com limite de saldo para a taxa máxima. Vale verificar as condições vigentes diretamente no app.
- PicPay: rende em torno de 100% do CDI sobre o saldo da conta, com liquidez diária e sem carência na maioria das modalidades.
- Banco Inter: oferece entre 100% e 102% do CDI dependendo do produto e do perfil do cliente, com condições específicas para cada faixa.
Um ponto relevante para todas as opções: contas lastreadas em RDB ou CDB contam com a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) até R$ 250 mil por CPF por instituição. Nem todas as contas oferecem essa cobertura, por isso vale confirmar as condições antes de depositar valores maiores.
Perguntas frequentes sobre o rendimento de R$ 1.000 em contas digitais
Quanto rende R$ 1.000 por mês em uma conta a 100% do CDI?
Com a Selic em torno de 14% ao ano, o rendimento bruto mensal de R$ 1.000 a 100% do CDI fica próximo de R$ 11. O valor líquido, após o desconto do IR (22,5% para resgates em até 180 dias), cai para cerca de R$ 8,50. O número exato varia conforme a Selic vigente no momento do resgate.
O rendimento da conta digital é melhor que o da poupança?
A poupança rende 0,5% ao mês mais a TR, enquanto 100% do CDI com a Selic acima de 8,5% ao ano supera esse valor mesmo após o desconto do IR. Em prazos médios e longos, a diferença tende a ser expressiva a favor do CDI, ainda que a poupança seja isenta de Imposto de Renda.
Preciso declarar o rendimento da conta digital no Imposto de Renda?
O IR é retido na fonte no momento do resgate, ou seja, o banco já desconta o imposto antes de creditar o valor. Mesmo assim, quem está obrigado a entregar a declaração anual deve informar o saldo da conta e os rendimentos recebidos no campo de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva.
O dinheiro na conta digital tem proteção do FGC?
Contas lastreadas em RDB ou CDB contam com a garantia do FGC até R$ 250 mil por CPF por instituição financeira. Essa proteção cobre situações de falência ou liquidação do banco. Nem todas as contas digitais oferecem essa cobertura, por isso é importante verificar as condições específicas de cada instituição antes de aplicar.
Vale a pena resgatar R$ 1.000 antes de 30 dias?
O IOF regressivo consome uma parte significativa do rendimento nos primeiros 30 dias, chegando a 96% do lucro no primeiro dia. A partir do 31º dia, o IOF zera e o ganho líquido melhora de forma considerável. Salvo necessidade real e urgente, aguardar pelo menos 30 dias antes do resgate é a decisão que preserva mais do rendimento obtido.
Deixar R$ 1.000 parados em conta corrente sem rendimento é abrir mão de um ganho que, ao longo do tempo, pode ser relevante. O app do Mercado Pago, por exemplo, permite ativar o rendimento automático do saldo com liquidez diária, sem precisar fazer nenhuma aplicação manual. Mas o mercado oferece outras opções igualmente válidas: o mais importante é comparar as condições, entender os impostos que incidem sobre o lucro e escolher a conta que melhor se encaixa no seu perfil e nos seus objetivos.
Consulte condições e tarifas em: https://www.mercadopago.com.br/ajuda/termos-e-condicoes_299

